terça-feira, 18 de junho de 2013

M Ã E


Um dia, a Mulher solitária e atormentada chegou ao Céu e, rojando-se, em lágrimas, diante do Eterno Pai, suplicou:

- Senhor, estou só! Compadece-te de mim.


Meu companheiro fatigado, cada dia, pede-me repouso e devo velar-lhe o sono!

Quando triunfa no trabalho, absorve-se na atividade mais intensa e, muitas vezes distraído, afasta-se do lar,
aonde volta somente quando exausto, a fim de refazer-se.


Se sofre, vem a mim, abatido, buscando restauração e conforto...

Tu que deste flores ao arvoredo e que abriste as carícias da fonte, no seio escuro e ressequido do solo,
consagras-me, assim, ao insulamento? Reservaste a terra inteira ao serviço do homem que se agita, livre e dominador, sobre montes e vales, e concedes a mim apenas o estreito recinto da casa, entre quatro paredes, para meditar e afligir-me sem consolo?


Se sou a companheira do homem, que se vale de mim para lutar e viver, quem me acompanhará
na missão a que me destinas?


O Senhor sorriu, complacente, em seu trono de estrelas fulgurantes e, afagando-lhe a cabeça curvada e trêmula, falou compadecido:

- Dei o mundo ao homem, mas confiarei a vida ao teu coração.
Em seguida colocou-lhe nos braços uma frágil criança.
Desde então, a Mulher fez-se Mãe e passou a viver plenamente feliz.

(Meimei)

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