segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A Vida não cessa

A vida não cessa. A vida é fonte eterna e a morte é o jogo escuro das ilusões.

O grande rio tem seu trajeto, antes do mar imenso. Copiando-lhe a expressão, a alma percorre igualmente caminhos variados e etapas diversas, também recebe afluentes de conhecimentos, aqui e ali, avoluma-se em expressão e purifica-se em qualidade, antes de encontrar o Oceano Eterno da Sabedoria.
Cerrar os olhos carnais constitui operação demasiadamente simples.

Permutar a roupagem física não decide o problema fundamental da iluminação, como a troca de vestidos nada tem que ver com as soluções profundas do destino e do ser.

Oh! Caminhos das almas, misteriosos caminhos do coração! É mister percorrer-vos, antes de tentar a suprema equação da Vida Eterna! É indispensável viver o vosso drama, conhecer-vos detalhe a detalhe, no longo processo do aperfeiçoamento espiritual!...

Seria extremamente infantil a crença de que o simples "baixar do pano" resolvesse transcendentes questões do Infinito.

Uma existência é um ato
Um corpo — uma veste
Um século — um dia
Um serviço — uma experiência
Um triunfo — uma aquisição
Uma morte — um sopro renovador.

Quantas existências, quantos corpos, quantos séculos, quantos serviços, quantos trunfos, quantas mortes necessitamos ainda?

E o letrado em filosofia religiosa fala de deliberações finais e posições definitivas'

Ai! por toda parte, os cultos em doutrina e os analfabetos do espirito!

É preciso muito esforço do homem para ingressar na academia do Evangelho do Cristo, ingresso que se verifica, quase sempre, de estranha maneira — ele só, na companhia do Mestre, efetuando o curso difícil, recebendo lições sem cátedras visíveis e ouvindo vastas dissertações sem palavras articuladas

Muito longa, portanto, nossa jornada laboriosa. Nosso esforço pobre quer traduzir apenas uma ideia dessa verdade fundamental. Grato, pois, meus amigos!

Manifestamo-nos, junto a vos outros, no anonimato que obedece à caridade fraternal A existência humana apresenta grande maioria de vasos frágeis, que não podem conter ainda toda a verdade. Aliás, não nos interessaria, agora, senão a experiência profunda, com os seus valores coletivos. Não atormentaremos alguém com a ideia da eternidade. Que os vasos se fortaleçam, em primeiro lugar. Forneceremos, somente, algumas ligeiras notícias ao espírito sequioso dos nossos irmãos na senda de realização espiritual, e que compreendem conosco que "o espírito sopra onde quer".

E, agora, amigos, que meus agradecimentos se calem no papel, recolhendo-se ao grande silêncio da simpatia e da gratidão. Atração e reconhecimento, amor e júbilo moram na alma. Crede que guardarei semelhantes valores comigo, a vosso respeito, no santuário do coração.

Que o Senhor nos abençoe.

Médium: Chico Xavier Autor: André Luiz

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Terapia para estresse

A crença na vida futura, por conseqüência, na imortalidade do Espírito e na sua destinação gloriosa, constitui a mais adequada autoterapia preventiva em relação ao estresse, bem como para a sua superação.

Isto porque, ultrapassando os limites imediatistas da existência orgânica, essa convicção dilata a perspectiva de felicidade, demonstrando que, não sendo conseguida de imediato, sê-lo-á, sem dúvida, um passo à frente, em ração da dilatação do tempo e da realidade no Mais Além, facultando realizações contínuas, ricas de experiências negativas e positivas que definem o rumo da plenitude.

Mediante essa atitude mental e emocional surge a alegria, em face de demonstrar que a dificuldade de hoje é o prelúdio da conquista de amanhã, qual ocorre com a flor que se estiola para libertar o fruto e a semente que nela jazem adormecidos.

Ao invés de uma existência linear, que se inicia no berço e termina no túmulo, essa decorre da vida em si mesma, que é preexistente e sobrevivente à disjunção molecular, resultando em aprendizagem contínua, na qual sucedem-se êxitos e aparentes fracassos que culminam em conquistas insuperáveis.

Ninguém consegue atingir qualquer meta que delineie sem passar por acertos e erros, elegendo os processos favoráveis e eliminando aqueles equivocados, sem desanimar, insistindo até a realização dos seus objetivos.
Desse modo, a fé no futuro acalma as aflições momentâneas sem o apoio do conformismo doentio, porém, proporcionando a coragem para vencer os impositivos perturbadores da atualidade.

Essa postura impede a instalação da ansiedade, em considerando-se a grandiosidade do tempo sem o imediatismo da ilusão. Ao mesmo tempo, enseja uma planificação de largo porte, sem os incômodos da angústia ou da precipitação.

As tensões, nada obstante, apresentam-se inevitáveis, em razão do curso dos acontecimentos que não pode ser detido. Superada uma ocorrência, logo outra acerca-se, isto quando não se atropelam na velocidade dos fenômenos humanos.

A maneira, porém, como são analisadas para serem aceitas, respondem pela emoção com que são enfrentadas.

Quando o individuo se educa na compreensão dos deveres que abraça, deduz de imediato, quantos esforços devem ser envidados, a fim de que  se consumem com eficiência os resultados em pauta. Programa, então, como enfrentar cada fase, a forma de executar cada tarefa, evitando-se a fadiga excessiva, o desgaste emocional, a irritabilidade que decorrem normalmente, da indisciplina e da rebeldia no trato e na convivência com as demais pessoas, com os deveres assumidos.

Quando ocorrem situações estressantes que são normais, de imediato cabe-lhe a renovação de idéias, a mudança de realização, a busca do refúgio na prece renovadora, que robustece de energias psíquicas e emocionais, vitalizando os sistemas físico e psicológico, momentaneamente afetados.

O ser humano necessita do trabalho que o dignifica, mas também do repouso que lhe renova as forças e faculta-lhe reflexões para bom e compensador desempenho.

Desse modo, é impositivo para a preservação ou conquista da saúde, que se estabeleçam períodos para férias, para relaxamento emocional, para mudanças de atividades, para exercícios físicos liberadores das tensões orgânicas e psicológicas,  agilizando o corpo mediante caminhadas, massagens, natação com a mente liberada dos problemas constritores.

É justo que o ser humano não olvide dos limites da sua condição de reencarnado, portanto sob imposições do carro orgânico, evitando os sonhos de super-homem, que alguns se atribuem.

Musicoterapia e socorro fraternal ao próximo, representam igualmente recursos valiosos para que a pessoa desencarcere-se da carga tensional e experimente alegria de viver e de servir, sentindo-se útil.

Ioga e meditação, acupuntura e outros recursos valiosos, denominados alternativos contribuem eficazmente para o relax, a renovação das energias gastas.

Sempre quando alguém se oferece ao Bem, ei-lo tocado pelos eflúvios da saúde e da harmonia, auto-realizando-se e aos demais ajudando.

A busca da beleza, sob qualquer aspecto considerada, contribui para o retorno ao bem-estar, superando o estresse e a inquietação.

Apesar desses recursos, se o paciente permanecer em transtorno por estresse, não deve adiar a assistência do psicoterapeuta, a fim de evitar a instalação de problemas neuróticos mais graves.

Esforçar-se por viver com alegria em qualquer conjuntura é terapia preventiva e libertadora para os males do estresse.

FRANCO, Divaldo. Conflitos Existenciais.  Pelo Espírito Joanna de Ângelis.  Salvador BA, LEAL 2005. p. 187-189.
A  Bíblia


1.     Origem

Foi no seio do povo hebreu que nasceu a Bíblia.

A Bíblia é a coleção dos livros que contêm a Palavra de Deus. A Bíblia é uma mensagem que Deus dirigiu e continua a dirigir aos homens, através dos homens.

O termo grego donde provém a palavra Bíblia significava originariamente: os Livros. Em Latim, este termo transformou-se num singular e passou a designar exclusivamente coleção dos textos que formam a Sagrada Escritura.

A Bíblia completa contêm 69 escritos (71 ou 72 - conforme diversas maneiras de contar), obras de numerosos autores, tendo cada um deles caracteres próprios.

Os títulos destes livros lembram por vezes o nome dos seus autores, Outras vezes o nome dos seus destinatários ou ainda os assuntos que neles são tratados. É-nos desconhecido o nome de muitos desses autores; alguns escritos são o produto de uma colaboração ou constituem uma coleção de textos antigos compilados posteriormente. Os autores bíblicos viveram em lugares e em ambientes muito diversos: cada um deles imprimiu na sua obra traços muito característicos de sua personalidade.

2. As Divisões da Bíblia

Divide-se a Bíblia em duas grandes partes, chamadas respectivamente ANTIGO e NOVO TESTAMENTOS, sendo:

1ª parte: Antigo Testamento (AT) - 42 livros
2ª parte: Novo Testamento (NT) - 27 livros

Divisões do Antigo Testamento:
1º. grupo: A Lei - 5 livros
2º. grupo: A História - 15 livros
3º. grupo: A Poesia - 5 livros
4º. grupo: As Profecias - 17 livros

Divisões do Novo Testamento:
1º. grupo: Biografia - 4 Evangelhos
2º. grupo: A História - Atos dos Apóstolos
3º. grupo: Epístolas - 21 cartas
4º. grupo: Profecias - Apocalipse


3. O Antigo Testamento

A coleção dos livros do Antigo Testamento originou-se no seio da comunidade dos Judeus que a foram ajuntando no decorrer de sua historia. Dividíramos em três partes:

1. A Lei (Torá). Contêm os cinco livros (chamados mais tarde de “O Pentateuco”, que significa os cinco volumes), formando o núcleo fundamental da Bíblia. Esses cinco livros são o Gênesis, o Êxodo, o Levítico, o Números e o Deuteronômío. Escritos por Moisés.

2. Os Profetas. Os judeus compreendiam por esse título não somente os livros que hoje são denominados Profetas, mas também a maioria dos escritos que hoje costumamos chamar Livros Históricos.

3. Os Escritos. Os judeus denominavam por este nome os livros dos Salmos, dos Provérbios, de Jó, do Cântico dos Cânticos, de Rute, das Lamentações, do Eclesiastes, de Ester, de Daniel, de Esdras e Neemias com as Crônicas.

É a essa divisão que se refere o divino Mestre quando mais de uma vez (p. ex. Mat. 22, 40) falou “A Lei e os Profetas”.

Essa coleção já estava terminada no segundo século antes de nossa era.

Nessa mesma época os Judeus já estavam, em parte, dispersos pelo mundo. Uma importante colônia judaica vivia então no Egito, nomeadamente em Alexandria, onde se falava comumente a língua grega. A Bíblia foi então traduzida para o grego. Alguns escritos recentes lhe foram acrescentados sem que os judeus de Jerusalém os reconhecessem como inspirados. São os seguintes livros: Tobias e Judite alguns suplementos dos Livros de Daniel e de Ester os livros da Sabedoria e do Eclesiástico, Baruc e a Carta de Jeremias, que se lê hoje no último capítulo de Baruc. A igreja Cristã admitiu-os como inspirados da mesma forma que aos outros livros.

No tempo da Reforma, os Protestantes, depois de terem hesitado por algum tempo, decidiram não mais admiti-los nas suas Bíblias, pelo simples fato de não fazerem parte da Bíblia hebraica primitiva. Daí a diferença que há ainda hoje entre as edições protestantes e as edições católicas da Bíblia. Quanto ao Novo Testamento não há diferença alguma.

A Bíblia divide os 46 livros do Antigo Testamento do seguinte modo (alguns contam 44 livros, um indo Jeremias, Lamentações e Baruc):

1. Pentateuco: Os cinco livros iniciais escritos por Moisés: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio.

2. Os Livros Históricos: Josué, Juizes, Rute, os dois Livros de Samuel, os dois Livros dos Reis, os dois Livros das Crônicas ou Paralipômenos, os dois Livros de Esdras e Neemías, os três livros de Tobias, Judite e Ester e, por fim, os dois Livros dos Macabeus.

3. Os Livros Sapienciais: Jó, os Salmos, os Provérbios, o Eclesiastes, o Cântico dos Cânticos, o Livros da Sabedoria e o Eclesiástico.

4. Os Livros Proféticos, designados pelo nome dos Profetas: Isaías, Jeremias (ao qual se acrescentam as Lamentações e Baruc), Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.

4.  O Novo Testamento

A coleção dos Livros do Novo Testamento começou a formar-se na segunda metade do primeiro século na nossa era.
Seus 27 livros são assim distribuídos:

1. Cinco livros Históricos: Os Evangelhos segundo Mateus, Marcos, Lucas e João, e os Atos dos Apóstolos.

2. Vinte e uma cartas dos Apóstolos. Paulo escreveu 14 cartas: 1 aos Romanos, 2 aos Coríntios, 1 aos Gálatas, 1 aos Efésisos, 1 aos Filipenses, 1 aos Colossenses, 2 aos Tessalonicenses, 2 a Timóteo, 1 a Tito, 1 a Filemon e 1 aos Hebreus. As outras cartas são as seguintes: 1 de Tiago, 2 de Pedro, 3 de João de Judas.

3. Um livro Profético: O Apocalipse de João.

As duas coleções que formam a Bíblia foram sendo traduzidas do grego para o latim desde o segundo século da nossa era. Mas a tradução latina mais espalhada é a que fez São Jerônimo, à base dos textos originais hebraicos e gregos, no fim do quarto século, denominada "Vulgata" (Vulgarizada).

5. O Sentido Espiritual da Bíblia

O Velho e o Novo Testamento

Entre o Velho e o Novo Testamento encontram-se diferenças profundas e singulares, que se revelam, muitas vezes, como fortes contrastes aos espíritos observadores, ansiosos pelas equações imediatas da experiência religiosa.

O Velho Testamento é a revelação da Lei. O Novo é a revelação do Amor. O primeiro consubstancia as elevadas experiências dos homens de Deus, que procuravam a visão verdadeira do Pai e de sua Casa de infinitas maravilhas. O segundo representa a mensagem de Deus a todos os que O buscam no caminho do mundo.

Com o primeiro, o homem bateu à porta da moradia paternal, perseguido pelas aflições, que lhes flagelavam a alma, atribulado com os problemas torturantes da vida. O Evangelho é a porta que se abriu, para que os filhos amorosos fossem recebidos. No Velho Testamento, a estrada é longa e, vezes sem conta, as criaturas humanas desfaleceram, entre os sofrimentos e as perplexidade. No Novo, é a estrela da manhã espiritual, resplandecendo de amor infinito, no céu de uma nova compreensão.

No primeiro, é o esforço humano. O Evangelho é a resposta divina.

A Bíblia reúne o Trabalho Santificador e a Coroa da Alegria.

O Profeta é o Operário. Jesus é o Salário na Revelação Maior. Eis porque, com o Cristo, se estabeleceu o caminho depois da procura torturante. E é por esse caminho que a alma do homem se libertará da Babilônia do mal, que sempre lançou o incêndio no mundo, em todos os tempos.

A Bíblia, desse modo, é o divino encontro dos filhos da Terra com o seu Pai. Suas imagens são profundas e sagradas. De suas palavras, nem uma só se perderá.

Um dia, no cimo do monte da redenção, os homens entregar-se-ão, de braços abertos, ao seu Salvador e Mestre. Então, nessa hora sublime, resplandecerá, para todas as consciências da Terra, a Palavra de Deus.

(Emmanuel, Francisco Cândido Xavier, Coletânea do Além, O Velho e o Novo Testamento, p. 108)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Bem-aventurados os Aflitos 
As bem-aventuranças que se podem ler nos Evangelhos, analisadas fora do contexto reencarnacionista, servem, na melhor hipótese, apenas para que os pobres, os doentes e os injustiçados se conformem.
Excluída a teoria materialista, segundo a qual a vida e a inteligência são frutos da organização momentânea da matéria, nada se esperando além da morte, as teorias espiritualistas de uma única existência não respondem a perguntas como estas: Por que uns sofrem mais do que os outros? Por que nascem uns em ambiente de extrema miséria sem oportunidade de uma vida digna e outros nascem na riqueza com todas as oportunidades nas mãos? Por que uns se esforçam e nada conseguem, ao passo que para outros tudo sorri? E principalmente: Por que sofrem criancinhas?

A fé numa vida futura sem a ideia da reencarnação, pode até infundir paciência ao sofredor, mas “desmente a justiça de Deus” para usar a expressão do próprio Kardec. Sendo Ele bom e justo, o sofrimento tem que ter uma causa justa, forjada nesta mesma existência ou em existências anteriores.

Quanto às faltas desta existência, a lei humana pune algumas, mas não todas. Ela incide principalmente sobre as que trazem prejuízo à Sociedade e não ao próprio indivíduo que a pratica. E há ainda os crimes ocultos e as criminosas omissões. Muitas vezes nós praticamos a delinquência, mas conseguimos escapar das punições humanas porque não houve provas suficientes, ou porque certas faltas não são previstas no código penal, ou porque a crueldade e a ingratidão foram praticadas dentro do lar, não havendo denúncia. Isso não ocorre com a justiça divina porque esta incide sobre todas as faltas.

Allan Kardec, no livro “O Céu e o Inferno” resume a questão do sofrimento humano numa única frase: “O sofrimento é inerente à imperfeição”. Toda imperfeição e toda falta que dela decorre, traz o seu próprio castigo nas suas consequências naturais e inevitáveis, como a doença decorre dos excessos, o tédio da ociosidade, sem que haja necessidade de uma condenação especial para cada falta e cada indivíduo. Quem, de boa vontade, corrige suas próprias imperfeições, poupa a si mesmo do sofrimento que decorre dessas imperfeições. “A cada um segundo as suas obras, tanto no céu como na terra” - Kardec.

Analisando a dor humana é preciso lembrar também aqueles sofrimentos que não denotam a existência de determinada falta. São as provas buscadas pelos espíritos para concluir sua depuração e ativar o progresso. Em doutrina espírita, uma expiação sempre serve de prova, mas nem sempre a prova é uma expiação, embora ambas sejam atestado de uma relativa inferioridade.

Há ainda o sofrimento dos missionários, que sofrem pela incompreensão das criaturas a quem desejam ajudar.

De qualquer forma, o sofrimento que não provoca queixumes constitui já uma prova de forte resolução, o que é sinal de progresso moral.

Há espíritas ainda muito imaturos que esperam muito pela intervenção dos espíritos guardiães, pedindo-lhes a remoção do sofrimento. Para esses existe uma página de Emmanuel, comentando essa postura, na qual o mentor espiritual compara a atitude dos espíritos benfeitores diante no nosso sofrimento com a atitude de mães, pais, esposas e filhos que amam verdadeiramente aqui na Terra e são obrigados a bendizer instituições como o manicômio para que os filhos não passem da loucura à criminalidade confessa, ou o hospital onde será amputado um membro do ente querido a fim de que a moléstia não abrevie a sua existência; obrigados a concordar com o cárcere para que seus queridos não se aprofundem mais na delinquência ou a carregar os pais portadores de doenças infectocontagiosas para casas de isolamento a fim de que não se convertam em perigo para a comunidade. Todos eles continuam mentalmente ligados aos seres que mais amam, orando e trabalhando para que eles possam voltar ao seu convívio. Tal é a postura moral dos espíritos guardiães que não podem afastar nosso sofrimento, quando esse é o nosso remédio justo.

A todos nós que sofremos fica a comparação de Emmanuel: Nos dias cinzentos, frios, chuvosos, com o céu carregado de nuvens escuras e ameaçadoras, raramente nos lembramos de que, acima de todas as nuvens, paira e brilha o Sol. Do mesmo modo, o amor divino brilha e paira sobre todas as dificuldades. Ao invés de revolta e desalento, ofereçamos paz ao companheiro que chora, para que o bem prevaleça sobre todo o mal.


Bibliografia:
  • KARDEC, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo
  • XAVIER, F. C., Emmanuel - Livro da Esperança
  • KARDEC, Allan - O Céu e o Inferno
  • XAVIER, F. C., Emmanuel - Justiça Divina]
  •  
  • Vera Gaetani
(Jornal Verdade e Luz Nº 192 Janeiro de 2002)
Natureza do Perespírito

Ditado espontâneo a propósito de uma discussão que ocorrera, na Sociedade, sobre a natureza do Espírito e do Perispírito. Médium Sr. A. Didier.

Sim, faltam cor e forma às palavras para exprimir o perispírito e a sua verdadeira natureza; mas há uma coisa certa, é que o que uns chamam perispírito não é outra coisa senão o que outros chamam de envoltório fluídico, material. Quando se discutem semelhantes questões, não são as frases que é preciso procurar, são as palavras.

  • Eu diria, para me fazer compreender de maneira mais lógica, que esse fluido é a perfectibilidade dos sentidos e a extensão da visão e das idéias; falo aqui dos Espíritos elevados.
  • Quanto aos Espíritos_inferiores, os fluidos terrestres são ainda completamente inerentes a eles; portanto, como vedes, é matéria; daí os sofrimentos da fome, do frio, etc., sofrimentos que não podem suportar os Espíritos superiores, tendo em vista que os fluidos terrestres estão depurados ao redor do pensamento, quer dizer, da alma.

A alma, para o seu progresso, tem sempre necessidade de um agente; a alma sem agente nada é para vós, ou, melhor dizendo, não pode ser concebida por vós. O perispírito, para nós outros Espíritos_errantes, é o agente pelo qual nos comunicamos convosco, seja indiretamente por vosso corpo ou vosso perispírito, seja diretamente pela vossa alma; daí as infinitas nuanças_de_médiuns e de comunicações.

  • Agora resta o ponto de vista científico, quer dizer, a própria essência do perispírito; isto é um outro assunto. Compreendei, primeiro, moralmente; não resta mais que uma discussão sobre a natureza dos fluidos, o que é inexplicável no momento; a ciência não conhece bastante, mas a isso se chegará se a ciência quiser caminhar com o Espiritismo.

  • Revista Espírita Jornal de Estudos Psicológicos, de Allan Kardec, por Lamennais.
  • www.espirito.org.br.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O movimento espirita e nós

A perplexidade ante os antagonismos dentro do Movimento Espírita é de todos nós. É difícil explicar porque pessoas que já possuem os conhecimentos facultados pela Doutrina Espírita ainda conservem pruridos de vaidade e atitudes personalistas. A causa principal dessa distorção é que somos seres humanos, e a esmagadora maioria dos homens resulta da encarnação de Espíritos em condições inferiores ou medianas de evolução, indivíduos esses ainda muito carentes de educação moral. Nós carreamos para o Movimento nossas imperfeições - essa é a grande verdade. A consciência disso nos ajuda a doar nossa quota de trabalho com mais humildade e paciência. 

Jesus recomendou que nos amássemos assim como Ele nos amou, e informou, ainda, que seus discípulos seriam reconhecidos por muito se amarem. Não é possível, ainda, na Terra, um sentimento tão puro como aquele que Jesus exemplificou, mas precisamos fazer esforço para nos aproximarmos dessa realidade. Todos nós que nos colocamos sob a bandeira do Espiritismo cristão, desfraldada por Allan Kardec, devemos fazer o esforço de vencer os impulsos separatistas, ainda que venham disfarçados com a capa do louvável propósito de defender a pureza doutrinária.

Há companheiros que perdem um tempo enorme, e gastam energia, num sentido totalmente divergente daquele proposto por Jesus e por Kardec. Estão imbuídos de boa intenção, mas escolhem caminhos equivocados de ação, e apenas conseguem mostrar ao grande público um retrato negativo, que de forma alguma pode ajudar a difundir os princípios que abraçamos. Se manifestamos dessa forma a desunião dentro do Movimento, como vamos convencer as pessoas não espíritas de que somos discípulos de Jesus? A atitude agressiva de crítica não nasce do sentimento de amor. Se nos amássemos, saberíamos estar juntos em busca da mesma meta, alertando-nos reciprocamente quando nos surpreendêssemos em falhas. Quem pode gabar-se de nunca errar?

A agressividade e a combatividade que observamos em certos companheiros contra a FEB – Federação Espírita Brasileira traz-nos um sentimento profundo de tristeza. Não devemos ver a FEB como uma cúpula que, alienada da realidade, pretende dirigir os destinos dos centros espíritas. Essa percepção é totalmente equivocada. A equipe que dirige a FEB, embora as dificuldades presentes em todos os agrupamentos humanos, envida esforços para coordenar as atividades de âmbito nacional. É uma equipe formada de pessoas que se dispõem a doar uma parcela do seu tempo à tarefa de coordenar as ações que integrem as diversas instituições federativas estaduais que, por sua vez, também são dirigidas por equipes que se dispõem a coordenar ações integradoras das instituições adesas. O sistema que está assim implementado procura realizar, na prática, aquilo que Allan Kardec idealizou no Projeto 1868 (em "Obras Póstumas"). O trabalho dessas equipes é inteiramente voluntário, isso não se pode esquecer. Quem doa, assim, seu tempo e seu esforço, está movido pelo ideal de servir a uma causa, e essa causa é de todos nós. 

Podemos acompanhar, pela revista "Reformador", os resultados das ações idealizadas e implementadas pelo CFN – Conselho Federativo Nacional e pela FEB, bem como considerar o acervo de trabalhos publicados e os eventos de caráter nacional e internacional realizados. Se já temos a noção da importância de levarmos ao grande público os conhecimentos que nos consolam e orientam, sabemos o quanto será benéfico que ajustemos nossas ações aos propósitos das instituições de caráter federativo. Vamos fortalecer o "Pacto Áureo", assumindo, junto às instituições, se temos algum cargo que nos situa na liderança de equipes de trabalho, o compromisso de realizar a unificação. 

Que esteja longe de nós qualquer idéia de infalibilidade mas, se nos unirmos, como recomendou Kardec, formaremos o feixe de varas inquebrantável. Este é o grande desafio: superar nossas divergências e nos posicionamos ombro a ombro com aqueles que estão temporariamente incumbidos de coordenar o movimento em âmbito estadual ou federal. 

Nós precisamos nos amar acima de tudo. Eliminemos de nossos corações o preconceito e os impulsos separatistas. Os adjetivos "roustanguista", "kardecista", "ubaldistas" e outros do mesmo gênero só congelam o pensamento em posições que não ajudam em nada a realizarmos a união, o feixe de varas inquebrantável. Esses adjetivos são apenas rótulos... Libertemo-nos dessas amarras! Arregacemos as mangas, e coloquemos mãos à obra. O tempo não pára; precisamos aproveitá-lo para realizar o máximo que estiver ao nosso alcance, no sentido de esclarecer e consolar os que estão em grandes dificuldades nesta época de transição, por causa da ignorância e da miséria material e moral. O inimigo a combater está dentro de nós mesmos: é o egoísmo que lança um intenso nevoeiro em torno dos nossos olhos, impedindo que vejamos com clareza o caminho que, para o nosso próprio crescimento espiritual, precisamos trilhar.

Somos Espíritas – este o adjetivo cunhado por Kardec para caracterizar aqueles que buscam na Doutrina dos Espíritos os subsídios para se melhorarem, lutando contra suas próprias imperfeições. Qualquer outro adjetivo não nos serve. Vejamo-nos como irmãos e vamos agir fraternalmente. A única felicidade possível é a de estar em paz com nossa própria consciência, pelo dever retamente cumprido, e isso só depende de nós mesmos. 

Dalva Silva Sousa
Vitória-ES

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Ele atenderá

Quando atravesses um instante considerado terrível, na jornada redentora da Terra, recorda que o desespero é capaz de suprimir-te a visão ou barrar-te o caminho.
  • Para muitos, esse minuto estranho aparece na figura da enfermidade;
  • para outros, na forma da cinza com que a morte lhes subtrai temporariamente o sorriso de um ente amado. (Ver: Morte de entes queridos)
  • Em muitos lugares, guarda a feição de crise espiritual, aniquilando a esperança;
  • e, em outros ainda, ei-lo que surge por avalanche de provas encadeadas, baldando a energia.
*
Ninguém escapa aos topes de luta, que diferem para cada um de nós, segundo os objetivos que procuramos nas conquistas do Espírito.
  • Esse jaz atormentado de tentações,
  • aquele padece abandono,
  • aquele outro chora oportunidades perdidas
  • e mais outro lamenta os desenganos da própria queda.
*
Se chegaste a instante assim, obscurecido por nuvens de lágrimas, ...
  • arrima-te à paciência,
  • ouve a ,
  • aconselha-te com a reflexão
  • e medita com a serenidade,
  • mas não procures a opinião de esmorecimento.   
*
Desânimo é fruto envenenado da ilusão que alimentamos a nosso respeito. Ele nos faz sentir pretensamente superiores a milhares de irmãos que, retendo qualidades não menos dignas que as nossas, carregam por amor fardos de sacrifício, dos quais diminutas parcelas nos esmagariam os ombros.
*
Venha o desânimo como vier, certifica-te de que a forma ideal para arredar-lhe a sombra será...
*
Guardes o coração conturbado ou ferido, magoado ou desfalecente, serve em favor dos que te amparem ou desajudem, entendam ou caluniem. (Ver:Perdão)

Ainda que todos os apoios humanos te falhem de improviso, nada precisas temer.

Tens contigo, à frente e à retaguarda, à esquerda e à direita, a força do companheiro_invisível que te resolve os problemas sem perguntar e que te provê com todos os recursos indispensáveis à paz e à sustentação de teus dias. Ele que ama, trabalha e serve sem descanso, espera que ames, trabalhes e sirvas quanto possas.

Sem que o saibas, ele te acompanha os pequeninos progressos e se regozija com os teus mais íntimos triunfos, assegurando-te tranqüilidade e vitória. Ele que te salvou ontem, salvará também hoje.

Em qualquer tempo, lugar, dia ou circunstancia, em que te sintas à beira da queda na tentação ou na angústia, chama por Ele.

Ele te atenderá pelo nome de Deus.

Livro: "Rumo Certo", de Emmanuel, por Chico Xavier.