domingo, 31 de março de 2013



O Espírita e a Páscoa


Jesus, quando esteve na terra, trouxe uma mensagem totalmente inovadora, baseada no perdão, no amor e na caridade.

Para aquele povo ainda tão materialista e primitivo foi difícil aceitar um novo Messias manso e pacífico, quando esperava um líder guerreiro e libertador da escravidão.

Os governantes da época temeram ser ele um revolucionário que ameaçaria o poder por eles constituído.

Por esses motivos, Jesus foi condenado à morte, crucificado, maneira pela qual os criminosos eram executados. Como um ser de elevada evolução reapareceu em espírito - não em corpo material - aos apóstolos e a várias pessoas.

Assim ele comprovou a existência do espírito, bem como a sobrevivência após a morte física e incentivou a continuidade da divulgação de sua mensagem, missão essa desempenhada pelos apóstolos e seus seguidores.

A ciência já comprovou a impossibilidade da ressurreição, ou seja, voltar a viver no mesmo corpo físico após a morte deste, pois poucos minutos após a morte os danos causados ao cérebro são irreversíveis, já se iniciando o processo de decomposição da matéria.

Jesus, portanto, só se mostrou com o seu corpo perispirítico, o que explica o fato de só ter sido visto pelos que ele quis que o vissem. Se ele ressuscitasse em seu corpo carnal estaria contrariando as leis naturais, criadas por Deus.

Sabemos que para Deus nada é impossível, portanto poderia Ele executar milagres.

Mas iria Ele derrogar as leis que Dele próprio emanaram?


Seria para atestar seus poderes?

O poder de Deus se manifesta de maneira muito mais imponente pelo grandioso conjunto de obras da criação e pela sábia previdência que essa criação revela, desde as partes mais gigantescas às mínimas, como a harmonia das leis que regem o universo.

Através do Espiritismo compreendemos que não existem milagres, nem fatos sobrenaturais.

A Doutrina codificada por Allan Kardec não possui dogmas, rituais, não institui abstinências alimentares, nem possui comemorações vinculadas a datas comerciais e cívicas. Por isso os espíritas não comemoram a morte nem o reaparecimento de Jesus.

O Espiritismo nos ajuda a entender os acontecimentos da passagem de Jesus no plano terra e esclarece que a Páscoa é uma festividade do calendário adotada em nossa sociedade por algumas religiões.

Para os espíritas a Páscoa, como qualquer outro período do ano, deve ser um momento de reflexão, estudos e reafirmação do compromisso com os ensinamentos do mestre, a fim de que cada um realize dentro de si, e no meio em que vive, o reino de paz e amor que ele exemplificou.
RESSURREIÇÃO DE JESUS NA VISÃO ESPÍRITA 



No terceiro dia pela manhã (domingo), a terra treme e um anjo (espírito) desce do céu e afasta a pesada pedra. Os soldados ficam assustados e caem no chão. Quando conseguem se refazer correm à cidade. Naquela mesma hora, Maria Madalena e outras amigas de Jesus, correm ao túmulo com aromas para ungi-Lo. No caminho indagam como vão fazer para abrir o túmulo, mas quando chegaram ali o túmulo já estava aberto. Pensando que alguém houvesse roubado o corpo Dele, Maria corre a Jerusalém para contar a Pedro e João. Mas as outras entram e vêem um anjo sentado ali que dizia: “Não se assustem! Jesus ressuscitou, vão contar aos outros.” Pedro e João ficam estarrecidos com a notícia e correm para lá. Quando chegam ao local só encontram a roupa Dele. De repente Jesus aparece e vai ao encontro das mulheres e diz: “Alegrem-se!” Elas se aproximam e se ajoelham diante de Jesus.


Depois Jesus apareceu aos seus discípulos e para outros ao longo de quarenta dias (Atos 1:3). Com isso, provavelmente, os estava preparando para terem plena convicção na sobrevivência da alma e para irem se acostumando com sua ausência física sem duvidarem de que, mesmo invisível, ele continuava a assisti-los espiritualmente. Assim foi, até que se despediu materialmente deles (ascensão de Jesus). E, erguendo as mãos, abençoou os discípulos e, enquanto assim fazia, “ia-se retirando deles, sendo elevado para os céu”, até que “uma nuvem o encobriu de seus olhos” (as materializações sempre se dissolvem em uma nuvem de ectoplasma). Então, tomados de grande júbilo, voltaram para Jerusalém; e sempre iam ao templo, louvando a Deus. Depois de receberem a manifestação do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, pregaram por toda a parte, “cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra por meio de sinais, que se seguiam.”


COMO O ESPIRITISMO EXPLICA A RESSURREIÇÃO DE JESUS?

Os teólogos medievais resolveram dizer que o corpo de Jesus transportou-se do plano físico para o espiritual. À luz do Espiritismo, hoje é mais fácil entender que:


1) O espírito não morre com o corpo físico, ele pode ressurgir (surgir de novo, reaparecer) aos olhos dos encarnados, dos que ainda vivem neste mundo utilizando o perispírito. Há vários relatos na Bíblia de aparições de desencarnados (mortos) conversando com encarnados (vivos).

2) Não é o corpo de carne que ressurge, mas o espírito com seu perispírito (corpo fluídico) e este pode guardar ou não as aparências do físico anterior, conforme o espírito as mentalize ou não. Exemplo: André Luiz ressurgiu com a aparência da última encarnação; já Emmanuel não ressurgia com a aparência da última encarnação, mas da encarnação que mais marcou sua vida, que foi quando viveu na época de Jesus, relatado no livro “Há dois mil anos”.

3) O reaparecimento do espírito no plano terreno se dá em diferentes graus, desde a simples visão (chamado de vidência) até a aparição (visível, mas intangível, ou seja, vê mas não pode tocar) e a materialização (visível e tangível, ou seja, vê e pode tocar), como aconteceu com Tomé.

Poderíamos acrescentar que o espírito também ressurge quando se comunica através de um médium ou quando vem a reencarnar.


Então, Jesus apareceu com seu perispírito. Basta observar a passagem relatada por Mc 16:4/18; Lc 24:36/49; Jo 20:19/23; onde as portas da casa onde os discípulos se encontravam estavam trancadas, porque eles tinham medo da perseguição dos judeus. E ainda estavam eles falando dessas coisas, quando Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: “A paz seja convosco!”Como teria Jesus entrado, se as portas estavam trancadas? Sendo fluídico o corpo com o qual ressurgira, não encontrava qualquer obstáculo nas paredes ou portas trancadas.

sábado, 30 de março de 2013

PENSAMENTO E DESOBSESSÃO


Falamos de pensamento livre.

Analise o corpo de que você se serve no plano material: do ponto de vista do autocontrole, é uma cabine perfeita com dispositivos especiais destinados a sua própria defesa.

O cérebro com os centros diretivos da mente funciona encerrado na caixa craniana, à maneira de usina quase lacrada num cofre forte.

Os olhos registram impressões, mas podem conservá-las em estudo discreto.

Os ouvidos são forçados a escutar o que lhes afete a estrutura, entretanto, não precisam dizer o que assinalam.

A voz é produzida na laringe sem necessidade de arrojar de si palavras em desgoverno.

Mãos e pés por implementos de serviço não se movimentam sem determinações da vontade.

Os recursos do sexo não atuam sem comando mental.

Fácil, assim, verificar que não existe trabalho desobsessivo sem reajuste da emoção e da idéia, porquanto todos os processos educativos e reeducativos da alma se articulam, de início, no pensamento.

Eis porque Jesus enunciou, há quase vinte séculos:- "Não é o que entra pela boca que contamina o homem, mas sim aquilo que, impropriamente, lhe sai do coração".


André Luiz
Este Dia


Este dia é o seu melhor tempo, o instante de agora.

Se você guarda inclinação para a tristeza, este é o ensejo de meditar na alegria da vida e de aceitar-lhe a mensagem de renovação permanente.

Se a doença permanece em sua companhia, surgiu a ocasião de tratar-se com segurança.

Se você errou, está no passo de acesso ao reajuste.

Se esse ou aquele plano de trabalho está incubado em seu pensamento, agora é o momento de começar a realizá-lo.

Se deseja fazer alguma boa ação, apareceu o instante de promovê-la.

Se alguém aguarda as suas desculpas por faltas cometidas, terá soado a hora em que você pode esquecer qualquer ocorrência infeliz e sorrir novamente.

Se alguma visita ou manifestação afetiva esperam por você chegou o tempo de atendê-las.

Se precisa estudar determinada lição, encontrou você a oportunidade de fazer isso.

Este dia é um presente de Deus, em nosso auxílio; de nós depende aquilo que venhamos a fazer com ele



Texto extraído do livro "Respostas da Vida", Chico Xavier (André Luiz)
A cada geração pais devem se reciclar


“Você pode transmitir aos seus filhos o seu amor, mas não os seus pensamentos, porque ele tem sua própria maneira de pensar. Podem acolher seus corpos, mas não suas almas, porque essas residem no amanhã, que não poderá ser visitado por você, nem mesmo em sonhos. Você pode se esforçar para ser como eles, mas não tente que eles sejam como você, porque a vida não volta atrás nem estaciona no dia de ontem. Você é arco de onde seus filhos, como flechas vivas são lançados para adiante”.

Kalil Gibran


Temos assistido ao longo das décadas mudanças significativas no comportamento do ser humano, mais especificamente entre os jovens. A tecnologia da ciência, a televisão e o currículo escolar, alteraram o itinerário da evolução que, de há muito, era mais ou menos regular entre os povos. A comunicação gerou alterações comportamentais incomparáveis. Considerando que cada criança que nasce faz parte de um programa espiritual para aquela família, deduz-se que cabe aos pais um perfeito acompanhamento do desenvolvimento dessa criança, incluindo-se ai os aspectos morais, intelectuais, sociais, etc.

Como poder entender as mudanças se os pais não mudam? Bem, ai está o grande problema. A cada geração os pais devem se reciclar. Somente assim poderão acompanhar e dar assistência aos filhos que a eles foram confiados.

Em um comboio, se os vagões forem de última geração e a locomotiva for a vapor, com certeza essa viagem resultará em surpresa, às vezes até desagradáveis. Por isso os pais devem se ajustar ao modernismo, e, através de suas experiências, colaborarem com os filhos a fim de que esses cresçam com estrutura sadia, sem tropeços ou desajustes. No passado, quando as informações eram escassas, os pais, embasados na cultura religiosa, colocavam “cabrestos” nos filhos e os educavam por uma linha da ignorância. Essa “ignorância” também habitava nos pais. Isso leva a dizer que faziam as coisas como se fossem absolutamente certas. Mas, nem tudo era certo. Os tabus gerados nesses períodos encheram os sanatórios de pessoas desajustadas, cheias de culpas, complexos e alta estima baixa.

Hoje, as crianças são outras, extremamente inteligentes, mais informadas, mais esclarecidas, mais dispostas à evolução, mais perspicazes, mais violentas e também, mais amorosas.  É difícil dividirmos as pessoas por faixa etária, mas é fácil destacarmos épocas. Há duas gerações anteriores a esta que vivenciamos em (2007), o comportamento era um. Na última, o comportamento era outro e, agora, neste momento, tudo é diferente.

Ao lado do crescimento tecnológico, onde a criança se desenvolve para a sabedoria, temos a miséria que faz com que outras crianças amarguem a rua, a fome, a prostituição, o abandono, o desprezo. Como o pai de uma criança viverá quando sentir que se filho esta em condições piores do que ele esteve? Esse pai precisa se reciclar. Como o pai da classe média poderá vivenciar o filho cheio de liberdades e com comportamento que não deve? Esse pai precisa da reciclagem.

O que é reciclar?

Reestudar os comportamentos estruturais concebidos ao longo da existência, compará-los com aquilo que a época exige e, dentro do possível, adaptar-se, sem, contudo, perder a essência ética e moral. Pais e filhos devem andar nas mesmas calçadas. A separação do filho por imposição social ou cultural, poderá resultar em graves problemas. Os filhos não são propriedades dos pais, mas a esses cabe orientá-los, entende-los aceitá-los e caminhar com eles. Esse é o desafio moderno.  
“Pai é pai, não importa quão severo pode ser um pai quando julga seu filho. Nunca será tão duro como quando um filho julga seu pai”.

Wilson Focassio (São José do Rio Preto/SP)
Um dos Fundadores da Aliança Espírita Evangélica, 30 anos como voluntário do C.V.V. Centro de Valorização da Vida. Fundador e Diretor do D.E.D.E.R.  Centro de Estudos e Difusão do Espiritismo Religioso - C.E.D.E.R.

sexta-feira, 29 de março de 2013


Educação aos filhos e os compromissos espirituais



E mais um dia vem ao descerrar da lua. Trabalho, filhos para escola, trânsito, mercado e tantos afazeres tomam conta do nosso repleto dia. A sensação de saturação e impotência é real: o que estou fazendo da minha vida? E com a vida dos meus filhos?

Bate a culpa, o descontentamento e uma tristeza toma o coração aflito.

Mães e pais lamentam o que deixam de fazer pelos seus filhos e então como forma de recompensa “agradam” com os presentes e carregam na permissividade.

“O Evangelho Segundo o Espiritismo nos alerta no capítulo catorze – Instrução dos espíritos: ...” compreendei que, quando produzis um corpo, a alma que nele encarna vem do espaço para progredir; inteirai-vos dos vossos deveres e ponde todo o vosso amor em aproximar de Deus essa alma; tal a missão que vos está confiada e cuja recompensa recebereis, se fielmente a comprirdes. Os vossos cuidados e a educação que lhe dareis auxiliarão o seu aperfeiçoamento e o seu bem-estar futuro.Lembrai-vos de que a cada pai e a cada mãe perguntará Deus: Que fizestes do filho confiado à vossa guarda?”.....
Magnânimo compromisso em receber um espírito a fim de conduzi-lo a Deus. Espírito com o qual temos a missão da reconciliação através do amor. Quem ama diz não e também coloca limites. E é justamente isso que os nossos filhos esperam de nós.

Testam nossos limites a fim de pedir que os limitemos com amor. Pedem em entrelinhas para lhes dar a segurança de que necessitam a fim de que se formem homens de bem com valores morais, materiais e espirituais.

E nós? Acuados com o dinamismo infanto-juvenil da última era, nos perdemos na educação, julgando rebeldia nas crianças e nos jovens, mediante as atitudes que não sabemos interpretar. Quando na verdade eles pedem apenas, limite, amor, olhe para mim, fique comigo.

E  tudo isso supre a correria insana pelo dinheiro, pois quanto mais nós ganhamos, mais aumentamos as nossas necessidades materiais e mais escravos delas ficamos, quando na verdade sabemos que podemos viver com muito menos.

Assim, sem a culpa e sem a permissividade podemos elaborar programas em família, simples, mas juntos. Vamos aos “limites” e ao “não” com a autoridade que o amor nos confere. Vamos ao diálogo esclarecedor. Vamos à prática do Evangelho no Lar como balsamo reconfortante e instrutor da elevação moral – exemplos aos filhos da prática cristã.

É preciso pouco, bem pouco para recuperarmos nossa infância que grita por um porto seguro. É preciso equilíbrio e segurança dos pais pautados na fé em Deus e no amor. Necessária é a prece edificante que nos traz um norte como muito bem apontado por Emmanuel em “Vinha de luz” ... “Em qualquer posição de desequilíbrio, lembra-te de que a prece pode trazer-te sugestões divinas, ampliar-te a visão espiritual e proporcionar-te consolações abundantes; todavia para o Senhor não bastam as posições convencionais ou verbalistas.

É preciso, sobretudo ser e não apenas ter.

Que Jesus seja conosco na missão de ensinar e aprender e nos despedimos com Emmanuel: “Ensinar é repetir a lição com bondade e entendimento, quantas vezes forem necessárias”.

Um abraço amoroso a todos os corações.

Rosangela Pires
Março/2013

“A população terrestre alcança a passos largos o expressivo número de sete bilhões de seres reencarnados simultaneamente, disputando a oportunidade da evolução...

Embora as grandes aquisições do conhecimento tecnológico e dos avanços da ciência na sua multiplicidade de áreas, nestes dias conturbados os valores transcendentes não têm recebido a necessária consideração dos estudiosos que se dedicam à análise e à promoção dos recursos humanos, vivendo mais preocupados com as técnicas do que com o comportamento moral, que é de suma importância. Por isso, a herança que se transfere para as gerações novas que ora habitam o planeta diz mais respeito à ganância, ao prazer dos sentidos físicos, à conquista de espaço de qualquer maneira, dando lugar à violência e à desordem...

Têm ocupado lugar o materialismo e o utilitarismo, contexto em que muitos se comprazem distantes da solidariedade, da compaixão e dos espíritos fraternal, ante a dificuldade da real vivência do amor, conforme ensinado e vivido por Jesus.

Os indivíduos parecem anestesiados em relação aos tesouros da alma, com as exceções compreensíveis.

Felizmente, o fim do mundo de que falam as profecias refere-se àquele de natureza moral, com a ocorrência natural de sucessos trágicos que arrebatarão comunidades, facultando a renovação, que a ausência do amor não consegue lograr como seria de desejar...

Esses fenômenos não se encontram programados para tal ou qual período, num fatalismo aterrador como muitos que ignoram a extensão do amor de Nosso Pai divulgam, mas para um largo período de transformações, adaptações, acontecimentos favoráveis à vigência da ordem e da solidariedade entre todos os seres.

É compreensível, portanto, que a ocorrência mais grave esteja, de certo modo, a depender do livre-arbítrio das próprias criaturas humanas, cuja conduta poderá apressar ou retardar a sua constituição, suavizando-a ou agravando-a...

Se as mentes, ao invés do egoísmo, da insensatez e da perversidade, emitissem ondas de bondade e de compaixão, de amor e de misericórdia, certamente o panorama na Terra seria outro.

Compreendendo-se a transitoriedade da experiência física, no futuro a psicosfera do planeta será muito diferente porque as emissões do pensamento alterarão as faixas vibratórias atuais que contribuirão para a harmonia de todos e para o aproveitamento do tempo disponível.

O amor de Nosso Pai e a ternura de Jesus para com o Seu rebanho diminuirão a gravidade dos acontecimentos, mediante também a compaixão e a misericórdia, embora a severidade da lei do progresso.

Todos nos encontramos, desencarnados e encarnados, comprometidos com o programa da transição planetária para melhor. Por essa razão, todos devemos empenhar-nos no trabalho de transformação moral interior, envolvendo-nos em luz, de modo que nenhuma treva possa causar-nos transtorno ou levar-nos a dificultar a marcha da evolução.

Certamente, os espíritos fixados nas paixões degradantes sintonizarão com ondas vibratórias próprias a mundos inferiores, para eles transferindo-se por sintonia, onde se tornarão trabalhadores positivos pelos recursos que já possuem em relação a essas regiões atrasadas nas quais aprenderão as lições da humildade e do bem proceder. Tudo se encadeia nas leis divinas, nunca faltando recursos superiores para o desenvolvimento moral do espírito.

Nesse imenso processo de transformação molecular até a conquista da angelitude, há vários meios propiciatórios para o crescimento intelecto-moral, sem as graves injunções desagradáveis. Todos esses meios, entretanto, têm como base o amor e o trabalho.

Assim, a divulgação do Espiritismo é de fundamental importância por demonstrar a todos a imortalidade, a justiça divina, a mediunidade, os mecanismos de valorização da experiência na reencarnação e o imenso significado de cada momento existencial. Desse modo, convidemos a todos o aprendizado pelo amor, à reflexão e ao labor da caridade fraternal com que se enriquecerão, preparando-se para a libertação inevitável pela desencarnação, quando ocorrer.

Louvar e agradecer ao Senhor do Universo pela glória da vida que nos é concedida e suplicar-Lhe auxílio para sermos fiéis aos postulados do pensamento de Jesus, nosso Mestre e Guia, constituem deveres nossos em todos os momentos.

Entretanto, todos os trabalhadores do bem devem atentar para o fato de que experimentarão o aguilhão da dificuldade, sofrerão o apodo e a incompreensão desenfreada que têm sido preservados pela invigilância dos que nada contribuem.

Todos serão chamados ao sacrifício, de alguma forma, a fim de demonstrarem a excelência dos conteúdos evangélicos, considerando-se, por um lado, as injunções pessoais que exigem reparação e, por outro, a fidelidade que pede confirmação pelo exemplo.

Que se não estranhem as dificuldades que se apresentam inesperadamente, causando, não poucas vezes, surpresa e angústia. Por isso, o refúgio da razão apresenta-se o lugar seguro para reabastecer as forças e seguir com alegria.

As entidades que se comprazem na volúpia da vampirização das energias dos encarnados distraídos e insensatos, voltam-se contra os emissários de Jesus onde se encontrem, gerando conflitos em sua volta e agredindo-os com ferocidade. O trabalhador do Mestre, por sua vez, deve voltar-se para a alegria do serviço, agradecendo aos Céus a oportunidade auto iluminativa, sem que nisso ocorra qualquer expressão de masoquismo. Aliás, constitui-nos uma honra qualquer sofrimento por amor ao ideal da verdade, à construção do mundo novo.

Que o discernimento superior possa assinalar-nos a todos, e que os mais valiosos recursos que se possuam sejam colocados à disposição do Senhor da Vinha que segue à frente.”

Dr. Bezerra de Menezes (espírito) em Amanhecer de uma nova era, de Manoel Philomeno de Miranda (espírito), psicografia de Divaldo Franco.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Regressão espontânea

No atual momento da humanidade, podemos verificar que grande é o avanço da psicologia, em suas variadas escolas. Ao mesmo tempo, a parapsicologia conduz em sua esteira, eminentes cientistas e pesquisadores ilustres, abrindo novos campos de observações e análises voltadas para o espírito humano. Apesar desses cérebros amadurecidos e honestos voltarem sua atenção para o interior do indivíduo, diariamente multiplicam-se desilusões e agonias, como se os céus se houvessem esquecido do gênero humano.

Filhos, que a partir de certo momento estranham seus pais, seu lar, agridem e agridem-se, isolando-se...

Irmãos que se antagonizam brutalmente, se engalfinham, estabelecendo muralhas de desentendimentos...

Esposos que se ajustavam bem ou razoavelmente, e desde certa ocorrência parecem desconhecidos, forçados por compromissos que ignoram porque assumiram...

Criaturas que tinham uma vida relativamente serena, de um momento para outro se tornam inseguras, frias, provocadoras...

Fatos como esses, e outras tantas situações inexplicadas, podem ter como causa as regressões espontâneas ao pretérito.

Sem que os indivíduos se dêem conta, com freqüência fazem incursões ao passado reencarnatório, de forma inconsciente, filtrando experiências pretéritas e derramando-as nas atividades de agora.

Assim, o passado, ao contrário do que se pensa, encontra-se entranhado nos fios da atualidade, convocando o homem aos vôos da paz, operoso e digno, com destino à libertação.

É desse modo que, em qualquer posição social em que se ache, poderá a criatura humana passar a viver, por tempo breve ou por longo período, experiências surgidas do seu ontem, a vazarem para as telas do presente, em situações nomeadas de auto-obsessivas.

Múltiplos são os fenômenos dos quais as criaturas humanas fazem profundo ou superficial mergulho nas camadas das personalidades vividas no passado reencarnatório, trazendo à tona as experiências, nem sempre felizes.

Diante dessa realidade, quando percebermos as experiências do passado interferindo, de forma negativa, em nosso hoje, busquemos auxílio.

Se o problema é com um familiar, envidemos esforços para ajudá-lo a libertar-se do drama doloroso.

Busquemos ajuda de profissionais sérios que vêem no ser humano algo mais que um simples aglomerado de músculos e moléculas. Que admitem a existência do ser inteligente e imortal, que é o espírito.

Se somos espiritistas busquemos ajuda na terapia espírita. Se nossa crença é outra, roguemos a Deus o auxílio através da oração, permitindo o acesso dos benfeitores espirituais em nossa mente a fim de nos ajudarem a superar a dificuldade, sem desespero nem indiferença.

Você sabia?

Que as experiências do passado fazem parte do nosso presente como tendências e aptidões?

Assim sendo, se buscarmos viver bem nossa presente existência, no futuro as lembranças só nos trarão felicidade e alegria.

Viver bem é vencer as más inclinações, superar o egoísmo e o orgulho que tanto nos têm infelicitado ao longo do tempo.
DIANTE DO SENHOR

"Por que não entendeis a minha linguagem? Por não poderdes ouvir a minha palavra."
- Jesus. (JOÃO, 8:43.)

A linguagem do Cristo sempre se afigurou a muitos aprendizes indecifrável e estranha.

Fazer todo o bem possível, ainda quando os males sejam crescentes e numerosos.

Emprestar sem exigir retribuição.

Desculpar incessantemente.

Amar os próprios adversários.

Ajudar aos caluniadores e aos maus.

Muita gente escuta a Boa Nova, mas não lhe penetra os ensinamentos.

Isso ocorre a muitos seguidores do Evangelho, porque se utilizam da força mental em outros setores.

Crêem vagamente no socorro celeste, nas horas de amargura, mostrando, porém, absoluto desinteresse ante o estudo e ante a aplicação das leis divinas.

A preocupação da posse lhes absorve a existência.

Reclamam o ouro do solo, o pão do celeiro, o linho usável, o equilíbrio da carne, o prazer dos sentidos e a consideração social, com tamanha volúpia que não se recordam da posição de simples usufrutuários do mundo em que se encontram, e nunca refletem na transitoriedade de todos os patrimônios materiais, cuja função única é a de lhes proporcionar adequado clima ao trabalho na caridade e na luz, para engrandecimento do espírito eterno.

Registram os chamamentos do Cristo, todavia, algemam furiosamente a atenção aos apelos da vida primária.

Percebem, mas não ouvem.

Informam-se, mas não entendem.

Nesse campo de contradições, temos sempre respeitáveis personalidades humanas e, por vezes, admiráveis amigos.

Conservam no coração enormes potenciais de bondade, contudo, a mente deles vive empenhada no jogo das formas perecíveis.

São preciosas estações de serviço aproveitável, com o equipamento, porém, ocupado em atividades mais ou menos inúteis.

Não nos esqueçamos, pois, de que é sempre fácil assinalar a linguagem do Senhor, mas é preciso apresentar-lhe o coração vazio de resíduos da Terra, para receber-lhe, em espírito e verdade, a palavra divina.

Emmanuel (espírito)
psicografia de Chico Xavier. Livro: Fonte Viva
A ORAÇÃO DO JUSTO

"A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos." - Tiago, 5:16.

Considerando as ondas do desejo, em sua força vital, todo impulso e todo anseio constituem também orações que partem da Natureza.

O verme que se arrasta com dificuldade, no fundo está rogando recursos de locomoção mais fácil.

A loba, cariciando o filhote, no imo do ser permanece implorando lições de amor que lhe modifiquem a expressão selvagem.

O homem primitivo, adorando o trovão, nos recessos da alma pede explicações da Divindade, de maneira a educar os impulsos de fé.

Todas as necessidades do mundo, traduzidas no esforço dos seres viventes, valem por súplicas das criaturas ao Criador e Pai.

Por isso mesmo, se o desejo do homem bom é uma prece, o propósito do homem mau ou desequilibrado é também uma rogativa.

Ainda aqui, porém, temos a lei da densidade específica.

Atira uma pedra ao vizinho e o projétil será imediatamente atraído para baixo.

Deixa cair algumas gotas de perfume sobre a fronte de teu irmão e o aroma se espalhará na atmosfera.

Liberta uma serpente e ela procurará uma toca.

Solta uma andorinha e ela buscará a altura.

Minerais, vegetais, animais e almas humanas estão pedindo habitualmente, e a Providência Divina, através da Natureza, vive sempre respondendo.

Há processos de solução demorada e respostas que levam séculos para descerem dos Céus à Terra.

Mas de todas as orações que se elevam para o Alto, o apóstolo destaca a do homem justo como sendo revestida de intenso poder.

É que a consciência reta, no ajustamento à Lei, já conquistou amizades e intercessões numerosas.

Quem ajunta amigos, amontoa amor. Quem amontoa amor, acumula poder.

Aprende, assim, a agir com justiça e bondade e teus rogos subirão sem entraves, amparados pelos veículos da simpatia e da gratidão, porque o justo, em verdade, onde estiver, é sempre um cooperador de Deus.

Emmanuel (espírito) psicografia de Chico Xavier. Livro: Fonte Viva

terça-feira, 26 de março de 2013

NO CULTO À PRECE



"E, tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos e todos ficaram cheios do Espírito Santo." - Atos, 4:31.

Todos lançamos, em torno de nós, forças criativas ou destrutivas, agradáveis ou desagradáveis ao círculo pessoal em que nos movimentamos.

A árvore alcança-nos com a matéria sutil das próprias emanações.

A aranha respira no centro das próprias teias.

A abelha pode viajar intensivamente, mas não descansa a não ser nos compartimentos da própria colméia.

Assim também o homem vive no seio das criações mentais a que dá origem.

Nossos pensamentos são paredes em que nos enclausuramos ou asas com que progredimos na ascese.

Como pensas, viverás.

Nossa vida íntima - nosso lugar.

A fim de que não perturbemos as leis do Universo, a Natureza somente nos concede as bênçãos da vida, de conformidade com as nossas concepções.

Recolhe-te e enxergará o limite de tudo o que te cerca.

Expande-te e encontrarás o infinito de tudo o que existe.

Para que nos elevemos, com todos os elementos de nossa órbita, não conhecemos outro recurso além da oração, que pede luz, amor e verdade.

A prece, traduzindo aspiração ardente de subida espiritual, através do conhecimento e da virtude, é a força que ilumina o ideal e santifica o trabalho.

Narram os Atos que, havendo os apóstolos orado, tremeu o lugar em que se encontravam e ficaram cheios do Espírito Santo: iluminou-se-lhes o anseio de fraternidade, engrandeceram-se-lhes as mentes congregadas em propósitos superiores e a energia santificadora felicitou-lhes o espírito.

Não olvides, pois, que o culto à prece é marcha decisiva. A oração renovar-te-á para a obra do Senhor, dia a dia, sem que tu mesmo possas perceber.

Emmanuel (espírito)
psicografia de Chico Xavier. Livro: Fonte Viva
NO ESFORÇO COMUM



"Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?" - Paulo. (II Coríntios, 5:6).

Não nos esqueçamos de que nossos pensamentos, palavras, atitudes e ações constituem moldes mentais para os que nos acompanham.

Cada dia, por nossa vez, sofremos a influência alheia na construção do próprio destino.

E, como recebemos conforme atraímos, e colhemos segundo plantamos é imprescindível saibamos fornecer o melhor de nós, a fim de que os outros nos proporcionem o melhor de si mesmos.

Todos os teus pensamentos atuam nas mentes que te rodeiam.

Todas as tuas palavras gerarão impulsos nos que te ouvem.

Todas as tuas frases escritas gerarão imagens nos que te lêem.

Todos os teus atos são modelos vivos, influenciando os que te cercam.

Por mais que te procures isolar, serás sempre uma peça viva na máquina da existência.

As rodas que pousam no chão garantem o conforto e a segurança do carro.

Somos uma equipe de trabalhadores, agindo em perfeita interdependência.

Da qualidade do nosso esforço nasce o êxito ou surge o fracasso do conjunto.

Nossa vida, em qualquer setor de luta, é uma grande oficina de moldagem.

Escravizar-nos-emos ao cativeiro da sombra ou libertar-nos-emospara a glória da luz, de conformidade com os moldes vivos que as nossas diretrizes e ações estabelecem.

Lembremo-nos da retidão e da nobreza nos mais obscuros gestos.

Recordemos a lição do Evangelho.

"Um pouco de fermento leveda a massa toda."

Façamos do próprio caminho abençoado manancial de trabalho e fraternidade, auxilio e esperança, a fim de que o nosso Hoje Laborioso se converta para nós em Divino Amanhã.

Emmanuel (espírito) psicografia de Chico Xavier. Livro: Fonte Viva